Aos Teus Olhos

Maria é uma menina alegre que, ao crescer, passa a sofrer bullying por sua aparência e tenta mudar quem é para ser aceita. Com o apoio da mãe, redescobre sua identidade, sua história afro-brasileira e sua autoestima.

Aos Teus Olhos

Sobre o Recurso

Aos Teus Olhos — Samanta Bassalo (ilustrações de André Ximene)

A história em poucas palavras

Maria é uma menina alegre, cheia de cachos e gargalhadas, que adora ouvir da mãe histórias de reis e rainhas africanas, de Nelson Mandela, de Zumbi e Dandara. Mas, conforme cresce, começa a sofrer com olhares e comentários cruéis sobre sua aparência — o cabelo, o nariz, os lábios. Ela tenta se encaixar: pensa em alisar o cabelo, chega a usar um prendedor de roupa no nariz na esperança de afiná-lo, e vai perdendo a alegria, sentindo medo, ansiedade, solidão.

O ponto de virada vem quando ela desabafa com a mãe, que a acolhe com uma frase que resume o livro inteiro: "Não é você quem precisa mudar para agradar os outros; são eles que precisam aprender a respeitar as diferenças." A partir daí, Maria reconstrói a autoestima com a ajuda de amigos que apresentam autoras negras (Conceição Evaristo, Bell Hooks, Carolina Maria de Jesus, entre outras), aprende sobre instrumentos afro-brasileiros como agogô e caxixi, descobre mulheres negras pioneiras na história do Brasil — e termina decidindo que quer ser professora e ensinar essas mesmas lições às próximas crianças.

Um diferencial importante: no final, a autora conta sua própria história — cresceu sofrendo bullying por sua aparência, chegou a usar prendedor de roupa no nariz na infância e fez rinoplastia aos 15 anos por não se sentir "boa o suficiente". Ela é bem clara: "por favor, não faça isso" — o livro nasce de uma experiência real, não de uma lição abstrata.


O que a obra trabalha, na prática

  • Identidade racial e autoestima (especialmente de crianças negras e pardas)
  • Nomeação de emoções difíceis (raiva, tristeza, solidão, ansiedade) de forma concreta e visual
  • Bullying e a diferença entre "o problema é meu" e "o problema é de quem ofende"
  • Vínculo afetivo mãe-filha como espaço seguro para processar sentimentos
  • Cultura afro-brasileira (música, dança, figuras históricas) como fonte de orgulho, não como "conteúdo à parte"
  • Uma meditação guiada de autoestima ao final — pronta para usar em sala ou em casa

Por que pode ajudar no desenvolvimento infantil

Para crianças pequenas, ver um personagem nomear "isso despertou em mim a raiva" ou "conheci a solidão" dá vocabulário emocional — algo que a psicologia do desenvolvimento aponta como base da regulação emocional. Para crianças negras e pardas especificamente, é uma rara narrativa em que a criança não precisa mudar quem é para ser amada — o que fortalece autoimagem e pertencimento. E para todas as crianças, o livro modela empatia e antirracismo de forma concreta, não moralista.

Como usar na prática — ideias para professoras e famílias

  • Roda de conversa (a própria autora sugere): usar as perguntas do final do livro — o que é educação antirracista, o que significa "pardo", o que diz a Lei 10.639/2003 — como ponto de partida
  • Trabalhar cultura afro-brasileira de forma sensorial: levar agogô/caxixi de verdade ou gravações de jongo e maracatu para a sala
  • Espelho e identidade: depois da leitura, pedir que cada criança desenhe algo que ama em si mesma
  • A "meditação da autoestima" do livro pode virar uma prática recorrente — início do dia ou momento de acalmar a turma
  • Ponte com biografias: usar os nomes citados (Yaa Asantewaa, Zumbi, Dandara, Maria Odília Teixeira, Mercedes Baptista) como gancho para pesquisas ou cantos de leitura
  • Para casa: a carta final da autora é ótima para os pais lerem primeiro, sozinhos, antes de mediar a leitura com a criança

Faz muito sentido esse título estar entre os recursos pedagógicos do site — ele une literatura, emoção e educação antirracista de um jeito bem aplicável em sala.